sexta-feira, 4 de junho de 2010

4/2/2010

Voltei a tomar a carbamazepina, hoje só um comprimido, mas deverei tomar dois. Antes de pegar o medicamento fui ao Posto de Saúde fazer meu cadastro e quando cheguei lá estava com falta de ar, taquicardia e com dor no peito. Lembrei-me até da recomendação de que tossir ajuda. Fiquei francamente com medo de ter um enfarto. Não há motivo aparente, exceto o fato de que devo retornar ao trabalho na próxima semana e tive a notícia de que provavelmente terei que engessar meu braço novamente. No mais tudo está caminhando bem. Tenho conseguido resolver várias pendências inclusive antigas. É certo que ainda há muito a ser feito. Coisas que pretendia fazer durante minhas férias e que não consegui por completo, mas de qualquer modo consegui fazer muito mais do que normalmente consigo. Também estou muito preocupada pois, apesar de voltar na segunda já tenho várias consultas agendadas e provavelmente terei que ficar alguns dias até mais tarde para compensar o tempo que estarei fora. Mas uma coisa é certa não posso deixar minha saúde de lado e agora com cinqüenta anos a tantos probleminhas para tratar. No Posto de Saúde dei o primeiro passo para algo que há muito venho querendo conseguir, encaminhamento para cirurgia plástica. Agendei a consulta com um Clínico que fará o encaminhamento. Gosto do meu corpo e o acho normal para minha idade, mas como a maior parte das pessoas existem algumas coisas que quero melhorar nele e estou dando um passo para conseguir isto. Hoje também consegui rever meus documentos e escritos e encontrei muito material auxiliar para o livro e para outros textos e histórias. Fiquei muito feliz. Concluindo também o que comecei ontem, fui com meu filho inscrevê-lo no curso técnico e isto me deixou extremamente feliz. Agora é com ele. Claro que nos terá na retaguarda, mas o fato de o pai promover mais esta oportunidade a ele, algo que o ajudará profissionalmente e para que possa fazer a faculdade que quiser me deixa extremamente animada e grata a Deus. Peço que o Senhor o abençoe. O livre de todo o mal. Lhe dê discernimento e sabedoria para que sua adolescência e juventude seja coroada de êxito em o nome de Jesus. Sinceramente gostaria de já estar aposentada. Sinto que tenho tanto a fazer por aqui. Sou uma pessoa tão melhor quando faço o que gosto e preciso. Não é que não goste do meu trabalho. Gosto sim e procuro fazê-lo com zelo, dedicação e gratidão. Mas as outras coisas que produzo fora do meu trabalho me dão sem dúvida muito mais prazer. Faltam ainda alguns anos para que eu me aposente, então procurarei me esforçar ao máximo para sair de lá com orgulho do meu trabalho, pois foi graças a ele que consegui me manter até aqui. Ele é uma benção sem medida de Deus para mim e os meus. Como é normal na virada do mês meus hormônios estão acabando comigo, sinto-me extremamente cansada e desgastada, mas sei que em breve vai passar então é lidar com isto com tranqüilidade.

Montanha Russa do TBA



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Texto
Montanha russa do T.B.
Viver na montanha russa do transtorno bipolar sob controle é viver se observando, aceitando limitações e compreendendo a importância constante de ultrapassar barreiras nem sempre transponíveis com a facilidade necessária. É vencer a si mesmo a cada dia...
Teresa Azevedo
Publicado no Recanto das Letras em 03/09/2009
Código do texto: T1791110

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Teresa Azevedo
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Decreto falêciade mim mesma


Um profundo sentimento de tristeza me invadiu, não é uma tristeza comum daquelas que todos sentem. É uma dor tão grande, tão incontrolável. Tenho medo de tudo, especialmente de mim. É tão complicado para mim entender o que está acontecendo comigo. Não consigo me colocar diante das pessoas e quando me coloco sou ignorada como se eu não existisse pela maior parte das pessoas. Sinto-me tão franca e frágilizada com tudo. Parece que minha capacidade se foi e não con sigo me encontrar em nada, a não ser no amonteado de fracassos. Tento reagir e não consigo, parece que estou presa em uma bolha de vidro da qual não posso sair. Pensei muito e resolvi tomar uma atitude. Decretei falência de mim mesma. É certo que sem Ti nada sou, meu Deus. Mas Tu bem sabes que infelizmente, eu preciso sentir, tocar. Todas as irrefutáveis provas que estás comigo não me bastam e eu, minimamente, preciso de alguém humano como eu. Alguém que me acompanhe , não que me dê ordene, ou simplesmente me corrija os erros. A correção vinda de Ti é tão mais fácil, mas de outro ser "como" eu é tão penosa. Se ao menos fosse alguém que me passasse Teu recado, mas não. Perdoe-me Deus por ser tão limitada.
É o caos, mas ainda, apesar da fadiga respiro, sou lúcida para perceber que estou a um passo da loucura veemente. Não me quero inútil, mas sou. Preciso produzir, ser útil, mas não consigo. Quão impotente e desnorteada me encontro e como desejo me reencontrar em Teus caminhos. Sei que não sou de todo inservível, mas não consigo achar o fio da meada para recomeçar. Ajuda-me, preciso redescobrir a mim mesma. Agora me entrego a Ti constrangida, mas sem covordia, afinal de nada adianta ser covarde. Estou falida, mas consciente e desejosa de me recompor. Ajuda-me, imploro-Te...

Reescrito o texto acima demonstra uma de minhas crises constantes de há alguns anos. No momento sentia-me incapaz e tudo que me pediam para fazer eu tinha um medo terrível de não conseguir e assim eu bloqueava todas as possibilidades de realizar. Supervalorizava as coisas que julgava ruins. Sofria de forma a ficar depressiva com coisas que muitas vezes deduzia que pensavam a meu respeito. Hoje encontro-me bem. Naturalmente, como todo mundo tenho meus problemas, momentos de tristeza, mas nada fora do normal. Vivo a me observar e cada comportamento que julgo ser destorcido eu procuro trabalhar repensando o mesmo, refletindo e buscando a direção correta. Existe uma luta diária contra os sintomas do transtorno bipolar, mas agora tenho vivido de forma estável e equilibrada. Felizmente há mais mais de um ano não tenho picos de depressão, nem de euforia e as compulsões estão sendo passíveis de um controle muito bom. Assim, decidi publicar o que tenho de material escrito da fase difícil, portanto leitores não se assustem, pois lerão muitas coisas assim, felizmente antigas.

Incnstância de um ser ao long a vida


Inconstância de um ser ao longo da vida - reescrito

Passos lentos, lentos passos.
Passos que não se apressam em andar.
Passos rápidos e largos passos.
Passos que correm a alcançar.
Passos lentos por serem ensaios ao desconhecido.
Lentos passos por serem conclusões do que conhece tão bem.
Passos rápidos que buscam o futuro com garra e fulgor.
Rápidos passos que se apresentam a fugir do tudo que já andou.
Um pubere que treina seus primeiros passos em direção ao infinito.
Um adolescente que corre a abraçar seus impulsos.
Um adulto que tenta em uma corrida agarrar sua vida.
Um contraste no correr e no correr, no andar e andar.
Que fadiga me invade ao correr.
Que fadiga tola me derruba até no andar.
Que energia explode repentinamente no meu interior.
Que energia alcanço, e de um nada ela consegue fugir.
A cada dia sou um ser, as vezes em um mesmo dia sou mais de um.
A cada tempo sou um tanto.
As vezes me amo, outras me odeio.
Há dias em que me basto, outros em que não posso.


Hoje compreendo melhor essas mudanças de humor que sempre existiram em mim e sempre me atordoaram tanto. E hoje não as sinto assim tão bruscamente. Estou equilibrada com a graça de Deus.

Vales e picos


Por caminhos obscuros, busquei clareiras d'alma de forma que pudesse me acalmar, saber que a vida renasce e concentrando-me encontrar um caminho seguro a ser seguido, a resposta as perguntas que me assolam a mente, inquietam o corpo e entorpecida me vejo totalmente perdida sem destino , sem saída, sem um ponto de chegada.
Pele rusga, músculos enrigecidos, coração palpitante, medo do desconhecido, euforia, prazer, palavras que saem aos montes sem vírgulas, sem pontos, umas sobre as outras, confusas e nulas, tentando ser eloquentes, mas nada são além de distorções de comportamento, acúmulo e atropelo de pensamentos, congestionamento de idéias, vendaval, explosões.
E de novo as profundezas deprimentes, terríveis, assustadoras, trêmula me encolhi em paura e solidão. Tudo tão irreal, tão grandioso em sentimentos de dor, infinitamente maiores do que eram, superdimensionamentos tolos e incontroláveis.
Mais uma vez euforia, compulsões, descontrole, perda de foco, ilusão de ter capital além do que não se tem, de querer tudo o que se vê, de achar que pode mais do que pode e, quanto mais consome, mas quer consumir, coleções de sapatos, de bolsas, de cintos, coleções e coleções para alimentar o êxtase.
Mas então a realidade, a tristeza, a percepção do caos.
Entre vales e picosm subindo e descendo uma vida até descobrir a causa e buscar a ajuda correta, alcançando o equlíbrio.

Eu bipolar e estável


Eu bipolar e estável

Congruência, estilo ideal.
Longe do letal, o equilíbrio.
Reconhecendo-me em mim.
Olho no espelho e me contemplo.
Existo, minha imagem refletida.
Nela minha alma contida.
Não sou fantasma louco.
Nem monstro rouco
Sentença de inocente.
Liberdade e vida.
Longe de mim a ferida.
Já na sangra, nem dói.
Resta apenas a cicatriz.
Algumas poucas sequelas.
Rusgas,manchas amarelas.
Ainda sou bipolar, mesmo que estável.
Sei do meu limite e do meu rasgo.
Consigo ser feliz e estar bem.
Apenas preciso compreender as fronteiras.
Estar sempre atenta, me observando.
Analisando-me e me equacionando.
Inquerindo-me, me guiando.
E quando por ventura eu fugir de mim.
Escapar-me por entre os dedos.
Terei que correr e apressar em achar-me.
Pois de mim não posso me perder.
Em Deus sempre me irei ter.
Nele buscarei forças e aceitação.
Minha luta é constante e perene.
Mas não estou só, nem sou só.
Somos muitos e juntos podemos.
Nos compreender melhor.
Eu bipolar e estável.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Dia 1

Este é um daqueles períodos do mês que o remédio acaba e eu não consigo pegar nova remessa. Estou há dois dias sem meu controlador de humor. Por hora tudo normal, mas amanhã vou ter que pegá-lo pois já sinto o preúncio de alterações. Tenho muito que fazer amanhã, desde as rimeiras horas então que Deus me permita uma noite que me baste.