sexta-feira, 25 de março de 2016

Vencedora do Concurso a Arte de Viver - categoria poesia - direcionado a pacientes com distúrbio mentais


Compartilho com meus leitores o resultado do Concurso A Arte de Viver - Categoria Poesia no qual fui vencedora. Esse concurso foi destinado à pacientes portadores de esquizofrenia e transtorno bipolar convidados por seus psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, recreacionistas e demais profissionais de saúde mental. 


Poesia Vencedora do Concurso VI Concurso Nacional “Arte de Viver”


Percorrendo meu transtorno bipolar
Teresa Azevedo

Em um voo lunar, um sonar que desorienta.
Eu – baleia perdida, encantada e ferida –
Percorro meu transtorno bipolar
Em busca de respostas.
Rumo à compreensão da ambiguidade absoluta.
Lágrimas secas molham minh’alma
E, camufladas, esvaem-se na face à mostra.
Perco-me em loucura na ponte entre “eu” e “eu!”
No momento crucial onde a mudança se faz,
O microinstante atemporal de brevidade infinita.
Resume-se em ondas senoidais através dos dias
Com a intensidade do colidir atômico.
Clamo por sábio e incontestável equilíbrio,
Âncora de uma psique sã –
Santos desejos de mutantes sabores.
Recordo-me da infância, do império perdido,
Volto à adolescência e à rebeldia escaldante.
Aos desvarios e imprevisibilidade da juventude,
Aos choques traumáticos e familiares – dos quais
Ninguém escapa de um modo ou outro.
Recordo-me da maturidade exaurida,
Medrosa e depressiva,
Por vezes eufórica e pseudopoderosa.
Do abandono ao surto, o recobrar da consciência,
A descoberta do Transtorno Afetivo Bipolar,
A disposição para o tratamento, a terapia, a medicação.
A frustração profissional, o encontro com a poesia,
A obtenção do resgate e o desejo de dividir os frutos.
O ondular em busca de pares – cascas encobertas –
A um passo da ressureição.
O interagir, fluir, jorrar, misturar de ondulações
Para enfim transformar-se na mais linda
Das paisagens poéticas.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Hora de correr, de dançar a boa música do bem

                                                                                                                                                                    Balanço dos últimos dias após a consulta

Aqueles que acompanham este blog leram sobre a queda de meu cabelo em virtude, provavelmente, do ácido valpróico. A primeira providência foi retirar um dos três comprimidos que tomo diariamente e depois mais um. Em virtude disso e do luto pela morte do meu irmão fiquei um tanto depressiva, totalmente improdutiva. Aumentei a dose de bupium de um comprimido para dois pela manhã, já que à noite eu estava dormindo bem. A situação ainda não se resolveu pois uma irritabilidade gratuita tomou conta de mim. Voltei a tomar dois comprimidos de ácido valpróico e observar o resultado. Por hora, melhorei o mal humor, mas ainda estou desencorajada para marcar as reuniões que necessito e demais contatos externos que já estão pra lá de atrasados. Temo fazê-lo antes de estar preparada e acabar não surtindo o resultado que preciso. Darei mais alguns poucos dias para tomar tais providências e pedir a Deus que me capacite.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mãos à obra


Hoje amanheci disposta. Pronta para retomar o trabalho e iniciar efetiva o planejamento para 2016. Ótimo me sentir assim. Há muito não me sentia estimulada para trabalhar. Então é arregaçar as mangas e bola pra frente.

Esboço de minha autoria.

Noite de insônia

Uivos e granidos
na rua deserta.
É noite de insônia.
Há tantos suspiro,
Cansaço e agonia,
Corrida do outro
pelo passar das horas.
Caminho de pedra,
noite sofrega,
boca seca,
olhos estatelados,
medo, prenúncios,
olheiras e rugas.

Poesia inspirada no depoimento de uma paciente com Transtorno Esquizofrênico

Pintura de Ismael Nery - pintor brasileiro com influência surrealista, nasceu em 09 de outubro de 1900 e faleceu em 6 de abril de 1934. Educação: Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Queda de cabelos

Meus cabelos não pararam de cair apesar de ter diminuído a dose do remédio (ácido valproico), conforme recomendação do meu médico. Portanto, como ele disse teremos que repensar a medicação na próxima consulta.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Como funcionam as coisas comigo

Reconheço e agradeço por todas as inúmeras bençãos que o Senhor Deus me deu, mas reconheço que sou portadora de Transtorno Afetivo Bipolar, o que não me constrange, mantenho meu tratamento com rigor e nos breves momentos que me abstive dele percebi que não foi conveniente. Não tomo medicações que me viciam, apenas elas estabilizam meu humor e a falta dela o desestabiliza. Desde que criei este blog minha única intenção foi compartilhar dificuldades que outras pessoas podem ter e talvez desconheçam a  causa e não a de me queixar de nada.

Há momentos em que apesar de toda gratidão pelas minhas bençãos eu sinto uma tristeza inexplicável e tão profunda, felizmente ela é tão passageira quanto o surgimento. A pouco me senti assim, corri para compartilhar, mas já estou muito bem.

Em meu último post falei sobre a morte do meu irmão e o quanto é difícil para mim viver sem ele, mas deixo claro que não é este o motivo da tristeza que mencionei acima, pois ela ocorre em outros momentos totalmente diferente e felizes.

Imagem de Ismael Nery - pintor brasileiro com influência surrealista, formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nasceu em 1900. Morreu em 1934.

Lutando contra o luto

Meu irmão faleceu em dezembro  com um câncer super agressivo que o consumiu em pouquíssimos meses. A partir de outubro passei a acompanhá-lo às consultas, idas repentinas ao Pronto Atendimento, internações e quatro cirurgias feitas nesse curtíssimo espaço de tempo. Presenciei suas dores horríveis. Sua fisionomia não permitia camuflar seu silêncio.
Ele era mais novo que eu, trabalhávamos junto, era meu amigo, companheiro de lutas, conselheiro, enfim. Ficar sem ele ao meu lado é dificílimo, a cada instante me lembro de algo que ele fez, sonhou ou falou.
Na prática, procuro deixar as lembranças tristes de lado e enalteço as felizes mas meu emocional é desobediente e infiel tantas vezes... Sinto-me desanimada desde outubro, não tenho vontade de sair de casa, nem de escrever, sei que é temporário como de fato tem que ser, mesmo assim é doloroso perdê-lo e caminhar lutando contra o luto.
Quero trazer a tona todas as coisas maravilhosas que ele fez como fotógrafo e pessoa e sei que conseguirei com a permissão de Deus. O tempo para conclusão desse trabalho pode não ser exatamente o que desejo.